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Oposição defende presença no parlamento, apesar de contestar resultados eleitorais

27 de Setembro de 2012, 19:17

Apesar de terem recorrido para o Tribunal Constitucional, contestando os resultados das eleições gerais de 31 de agosto, deputados da oposição angolana tomaram hoje posse, durante a sessão constitutiva da III Legislatura.

Depois de na quarta-feira terem boicotado a cerimónia de posse de José Eduardo dos Santos no cargo de Presidente da República, os partidos União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e Renovação Social (PRS) e a Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) compareceram hoje no hemiciclo.

Em declarações aos jornalistas, Isaías Samakuva, líder da UNITA, disse que sendo o parlamento a "casa do Povo" não é contraditória a presença dos 32 deputados eleitos pelo partido a 31 de agosto.

"O parlamento é a casa do Povo. A casa de todos que não pertence a ninguém, a nenhum partido. Então, nós vamos estar na Assembleia Nacional para cumprir o mandato que o povo nos deu", defendeu.

Quanto ao discurso de investidura de José Eduardo dos Santos, o líder da UNITA classificou-o como "um pacote cheio de intenções" que as pessoas já se habituaram a ouvir.

"Nada de novo. O que será novo é se aquilo que disse for agora cumprido", acrescentou.

Abel Chivukuvuku, da CASA-CE, formação que elegeu oito deputados, disse que se manterá no parlamento até à realização do próximo congresso extraordinário da coligação e também considerou que o discurso de José Eduardo dos Santos não ofereceu nada de novo.

O líder do PRS, Eduardo Kkwangana, justificou a presença dos três deputados renovadores no parlamento para tentar impedir que sejam "cozinhadas leis" que não correspondam aos interesses do eleitorado do partido.

Sobre o discurso de José Eduardo dos Santos, considerou tratar-se das "mesmas promessas de sempre".

"O discurso é aquele a que nos habituámos. As promessas são as mesmas. Precisamos de ver na prática o que vai acontecer à democracia no país", frisou, adiantando que não tem expectativas relativamente ao futuro executivo angolano, que poderá ser anunciado na sexta-feira.

"Não vamos esperar nada de diferente do que nós vivemos há 37 anos (período de tempo que o MPLA leva no poder, desde a independência, em 1975), porque são as mesmas pessoas. O pensamento é o mesmo. A corrupção vai continuar. As perseguições vão continuar", destacou.

Lucas Ngonda, presidente da Frente Nacional de Angola (FNLA), que elegeu dois deputados, e único líder que não boicotou na quarta-feira a posse de José Eduardo dos Santos, afirmou que o discurso de investidura também não trouxe nada de novo.

"Para nós, que estamos na vida pública, não trouxe nada de novo. São as mesmas coisas que têm sido ditas. São ideias que foram 'n' vezes debatidas. Agora o mais importante não é o nível do discurso, porque não são senão promessas. O mais importante é concretizar as promessas, porque temos uma sociedade com profundas desigualdades sociais", acrescentou.

Do lado da bancada do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que elegeu 175 dos 220 deputados, a atitude da oposição mereceu fortes críticas.

Para Bento Francisco Bento, governador provincial de Luanda e primeiro secretário do partido na capital, a atitude da oposição revelou "hipocrisia e politiquice".

"O MPLA é que devia reclamar as manobras que a oposição fez durante as eleições. E até hoje nenhum dirigente do MPLA veio a terreiro apontar as malandrices que a oposição fez", sustentou, vincando "vergonha política! Envergonham a nossa jovem democracia, que está a caminhar bastante bem".

João Martins, secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Eleitorais, considerou que o cenário político "deve ser lido e entendido mesmo pelo mais incauto dos cidadãos", porque, sustentou, "prática e atitudes incoerentes há muitas e (vamos) assistir a muitas".

"Agora que estão constituídos os órgãos temos de avançar. Não podemos ficar com o país refém, nem ter o país adiado por caprichos desta ou daquela organização política", adiantou.

Todavia, apesar da expressiva maioria qualificada que o MPLA mantém no parlamento, João Martins manifestou-se disponível para o diálogo.

"Se estivemos atentos, no discurso de investidura (José Eduardos dos Santos) disse que o diálogo é fundamental para encontrar consensos, buscar soluções. Nós não podemos ter a veleidade em pensar que temos a verdade absoluta, que temos todas as soluções, as mais adequadas", disse.

Muitas das soluções necessárias "poderão ser ajustadas em função da conjuntura, dos interesses que se têm", porque, frisou, em circunstâncias que o determinem, "que seja vantajoso para os cidadãos e para as instituições e o resultado seja benéfico para o povo angolano, o MPLA estará sempre aberto ao diálogo".

"Mas não numa perspetiva apenas de geração de factos políticos ou apenas de aumentar o protagonismo ou importância e relevância política de forças que não a tem", concluiu.

EL.

Lusa/Fim

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