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Resultados da UNITA surpreendem analistas face ao "fenómeno Chivukuvuku"

03 de Setembro de 2012, 22:14

Os resultados alcançados pela UNITA, maior partido da oposição, nas eleições gerais de sexta-feira, que lhe confere uma subida de oito por cento relativamente a 2008, surpreendeu analistas políticos angolanos próximos do MPLA.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) segue, já perto do fim da contagem provisória dos resultados, com 18,59 por cento dos votos, num total de 1.020.393 de eleitores, um aumento, valores muito acima dos alcançados nas legislativas de 2008, quando obteve 10,39 por cento dos votos, num total de 670.363 eleitores.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Associação cultural Chá de Caxinde, Jaques dos Santos, ex-deputado do MPLA, partido no poder, manifestou-se "surpreso com a subida da UNITA".

"Estava à espera que se mantivesse no mesmo patamar de 2008 e que a CASA (nova coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola, liderada pelo dissidente da UNITA, Abel Chivukuvuku) fosse usurpar parte desses votos", disse Jaques dos Santos.

A mesma surpresa é manifestada por Mário Pinto de Andrade, reitor da Universidade Lusíada de Angola, e membro do Comité Central do MPLA, que considera, nessa ordem de ideias, os resultados alcançados pela UNITA "uma vitória".

"A UNITA subiu na votação destas eleições, comparativamente a 2008, mas, apesar da derrota, deve sentir-se satisfeita, porque se pensava que o 'fenómeno Chivukuvuku', 'o fator surpresa' fosse roubar votos à UNITA, mas não", sublinhou Mário Pinto de Andrade.

Por outro lado, os dois analistas mostraram preocupação em relação aos resultados alcançados pelo MPLA.

O MPLA ganhou, segundo os últimos dados preliminares divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), as eleições gerais de Angola, realizadas a 31 de agosto, com 71,96 por cento de votos de 3.948.230 de eleitores, dos 9.757.671 registados, quando faltam escrutinar cinco por cento dos votantes.

Segundo Jaques dos Santos, "houve uma transferência de votos do MPLA para a UNITA e para a CASA-CE".

"O MPLA, que é o meu partido, sou militante de base, tem de fazer uma reflexão muito grande do que aconteceu. Não é com bailes e festas que se consegue a adesão da população", disse Jaques dos Santos.

"O voto conquista-se com gestos palpáveis para melhorar a vida da população e não com passeatas", criticou o presidente da associação cultural, acrescentando: "Vamos ver se temos outro comportamento e se o partido é dirigido de outra forma, mais próxima das pessoas".

Já Mário Pinto de Andrade apontou a necessidade de o MPLA analisar a perda de 10 por cento da população votante, referindo-se também aos votos em branco e às abstenções, que considerou "um dado preocupante".

"O MPLA ganhou bem, mas os resultados em comparação a 2008, não podemos nos esquecer que o MPLA perdeu cerca de 10 por cento da população votante, é preciso analisar também a questão dos muitos votos em branco, bem como os votos de Luanda", frisou.

Por seu turno, Jaques dos Santos considerou "impensável" o nível de abstenção nestas eleições e os mais de 200 mil votos em branco, lidos como "uma forma de protesto".

"O recenseamento geral teve cerca de 10 milhões de votantes e votaram mais de cinco milhões", assinalou Jaques dos Santos.

Apesar de a CNE não avançar dados sobre a abstenção, é já possível antever, a partir dos resultados preliminares, que mais de 40 por cento dos eleitores não participaram na votação.

NME

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